Condessa de Cuba

D. Maria Francisca
Borges Coutinho de Medeiros Sousa Dias da Câmara

D. Maria Francisca Borges Coutinho de Medeiros Sousa Dias da Câmara (20.1.1860—10.1.1945), condessa de Cuba, foi uma benfeitora de origem açoriana, filha de António Borges de Medeiros Dias da Câmara e Sousa, primeiro marquês da Praia e de Monforte, e de sua mulher, D. Maria José Coutinho Maldonado de Albergaria Freire. 

Casada com D. Alexandre Domingos Henriques Pereira de Faria Saldanha de Lancastre, primeiro conde de Cuba, não tendo descendência, fundou e dotou generosamente várias instituições de carácter assistencial, religioso e cultural, como o Instituto Condessa de Cuba, em Oeiras, hoje pertencente à Associação Resgate, uma associação privada de solidariedade social que proporciona um lar a crianças do sexo feminino dos três aos doze anos, com situações familiares disfuncionais, ou a Fundação do Asilo de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Veiros, com os mesmos fins da anterior. 

À semelhança de seu pai, ajudou vários seminaristas e religiosos, tanto nos Açores como em Lisboa, a pagarem os seus estudos no seminário e exerceu a caridade apostólica em prol dos mais necessitados de todos os estratos sociais. 

Como defensora da cultura, foi um dos principais mecenas, de entre outros, do Museu Carlos Machado, de Ponta Delgada, dotando-o de importantíssimas obras de arte. Com o seu irmão, D. António, 1.º barão do Linhó, dedicou-se com especial enlevo a recuperar a melhorar e a expandir a propriedade edificada da Quinta do Leão, entre 1919 e 1935, com especial incidência na melhoria dos edifícios agrícolas e na recuperação do solar. 

Depois da sua morte, deixou importantes legados, especialmente à Ordem de S. Francisco e ao Patriarcado de Lisboa, como a propriedade da capela da casa de família – com todo o seu recheio –, hoje conhecida como “Capela do Rato” ou simplesmente Capela de Nossa Senhora da Bonança. 

A condessa de Cuba, consciente das suas particulares possibilidades patrimoniais, sabendo que era apenas administradora da herança que tinha recebido e que esta devia ser utilizada na procura do bem comum. Inspirada por valores superiores como a fé, a fidelidade à tradição e à memória dos seus antepassados, encarnou a lógica da partilha e da preocupação social, com a qual se expressa de modo autêntico o amor ao próximo. 

Percebeu vivencialmente que só através de um compromisso comum de solidariedade e de presença activa na sociedade é possível responder ao grande desafio do nosso tempo: o de construir um mundo de paz e de justiça, no qual cada ser humano possa viver com dignidade. Para isto poder acontecer, deve prevalecer um modelo de autêntica solidariedade e de elevação cultural. 

Assim, com base no testemunho deixado ao longo da sua vida, propõe-se a Condessa de Cuba, D. Maria Francisca, como o modelo inspirador que encarna perfeitamente os objectivos desta Associação.

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