Comissão Histórico-Cultural

A Comissão Histórico-Cultural da Associação Cultural Condessa de Cuba nasce do imperativo de assumir a gestão, o estudo e a preservação da memória histórica como um dever ético e espiritual. Não visamos um mero exercício de erudição, mas o cumprimento da vocação de servir a Verdade, cientes de que a família constitui a célula vital da sociedade e que a memória daqueles que nos precederam é o fundamento da nossa identidade presente. Como nos exorta a Escritura: «Lembra-te dos dias antigos, considera os anos das gerações passadas. Interroga o teu pai e ele te contará; os teus anciãos e eles te dirão.» (Dt 32, 7).

Nesta senda, a Comissão faz sua a convicção de Guilherme Braga da Cruz, que, ao homenagear ilustres sacerdotes investigadores, recordava que «há muitas maneiras de servir a Deus; e uma delas pode ser a de servir a Cultura, desvendando os segredos da História. Sendo Deus, aliás, a suprema Verdade, todo o culto científico da verdade é serviço de Deus e ajuda o Homem a elevar-se até Ele e a perscrutar os Seus mistérios» (cf. Elogios do Pe. Francisco Rodrigues e do Pe. Carlos da Silva Tarouca, Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1965, p. 11).

É sob este prisma que a Associação, em total consonância com as atribuições consagradas nos seus estatutos, estrutura a sua acção através de uma Comissão dedicada ao rigor científico. O seu âmbito de actuação abrange a investigação arquivística, a genealogia, a história da família e a catalogação exaustiva de espólios. Acreditamos que a organização sistemática e a dinamização destes arquivos não é apenas uma tarefa técnica, mas um acto de justiça histórica que permite o acesso público ao conhecimento e a salvaguarda de um património documental que corre o risco de se perder.

Este trabalho de catalogação e divulgação assume uma dimensão ainda mais profunda quando confrontado com o magistério de S. João Paulo II. Na sua visita a Portugal, o Sumo Pontífice defendeu que «a Incarnação do Verbo foi também uma incarnação cultural» (cf. Mensagem aos intelectuais, Universidade de Coimbra, 15 de Maio de 1982, em Discursos do Papa João Paulo II em Portugal, Lisboa, 1982, pp. 169-178). Se a cultura é, por natureza, um campo onde a fé se pode encarnar, então a investigação histórica que realizamos torna-se uma forma de mediação: ao desvendar o passado, tornamos inteligíveis as raízes cristãs que moldaram a nossa civilização, permitindo a irradiação da fé através da valorização do património de gerações passadas.

A Comissão, sob a direcção de António Maria Ribeiro Telles Costa, propõe-se, assim, a realizar este labor de consultoria e organização histórica, mantendo sempre a fidelidade ao espírito estatutário da Associação. A nossa missão é garantir que cada documento, cada registo genealógico e cada espólio arquivístico sejam não apenas guardados, mas estudados e comunicados, servindo de elo entre a tradição que recebemos e o futuro que nos cumpre construir com dignidade.

Fale connosco